Algumas pessoas não se interessam pela meditação porque acreditam que se trate de prática religiosa ou espiritual… Muitos pensam que é necessário assentar-se na posição de lótus e assim permanecer durante horas.
Aqui tratarei da técnica de meditação conhecida como mindfulness ou “atenção plena” (em português) e das comprovações científicas dos seus benefícios para a saúde.
O mais recente trabalho de revisão sobre a ciência que há por trás da meditação foi lançado em setembro de 2017 em forma de livro, Altered Traits. Seus autores, Daniel Goleman (famoso jornalista americano e autor do best-seller Inteligência Emocional – livro que revolucionou a maneira de pensar a inteligência) e o neurocientista Dr. Richard J. Davidson fizeram um levantamento de 6 mil artigos científicos sobre meditação e, em 60 deles, encontraram sólidos embasamentos científicos sobre como a meditação pode mudar a mente, o cérebro e o corpo.
Veja os principais benefícios cientificamente comprovados:
– É um excelente exercício cerebral que aumenta a capacidade de concentração. Como o mundo moderno nos oferece muitas distrações – Facebook, WhatsApp, etc. – e o nosso cérebro não é capaz de executar mais de uma tarefa ao mesmo tempo, ele perde concentração. Meditar é uma forma de treinar o cérebro a reconhecer quando a mente está vagueando e fazê-la voltar ao foco.
– A capacidade de concentração, atenção e foco obtida pela meditação é dose dependente: quanto maior o tempo de prática diária e mais antigo o hábito, maiores e mais evidentes são os resultados.
– Manter a calma. Do ponto de vista psicoterapêutico, tem o mesmo efeito que medicamentos ansiolíticos e antidepressivos.
– Apesar de não haver ainda comprovação científica sobre a cura de doenças crônicas, são inquestionáveis os benefícios sobre a maneira que a pessoa passa a lidar com a doença, reduzindo substancialmente o seu sofrimento.
– Diminui os níveis séricos de cortisol – hormônio do estresse.
– Diminui inflamação – desde o primeiro dia observa-se diminuição da ativação de centenas de genes inflamatórios. Por isso a meditação é recomendada como parte do tratamento de todas as doenças crônicas.
– Aumenta a produção de células tronco.
– Estimula o sistema imunológico.
– Ajuda a regular os dequilíbrios hormonais.
– Melhora o controle glicêmico.
– Aumenta a energia física e mental.
– Melhora o sono.
– Aumenta a neuroplasticidade – neurogênese e novas conexões neuronais.
– Aumenta a compaixão, paciência, sinceridade. O Dalai Lama disse que o maior beneficiado pela compaixão é aquele que sente a compaixão. Tudo indica que nosso cérebro está preparado e sempre pronto para aprender a ser gentil.
Um dos melhores estudos sobre mindfulness foi feito pelo professor Emérito da Faculdade de Medicina de Massachusetts John Kabat-Zinn no qual ele demonstra que praticar mindfulness meia hora por dia permite à pessoa reconhecer o que se passa em sua mente, sem entretanto ser tomado por ela. Essa característica nos torna capazes de mudar a experiência e consequentemente a qualidade de vida.
A maioria de nós é muito reativa aos conflitos cotidianos que nos aborrecem ou nos deixam ansiosos. Com a meditação conseguimos identificar a emoção no momento em que ela surge e, ao invés de responder automaticamente, somos capazes de refletir e escolher não vivenciá-la. Isso nos torna menos reativos e mais proativos.
É o que experimentos realizados na Universidade de UCLA demonstraram: a capacidade de retardar conscientemente a resposta a um estímulo aumenta a ativação da área no lobo pré-frontal que é responsável pelo pensamento e reflexão, fazendo com que a pessoa tenha uma atitude mais assertiva. É essa pausa entre o estímulo e resposta que resulta na tomada de uma melhor decisão.
Uma publicação da Universidade de Harvard chamada A wandering mind is an unhappy mind (uma mente que vagueia é uma mente infeliz – em tradução livre) ressalta que, diferentemente dos outros animais, nós humanos tendemos a dedicar muito tempo à reflexão sobre eventos que ocorreram no passado ou que podem ocorrer no futuro – especialmente aqueles que estão nos incomodando. Esse tipo de ruminação é muito contraproducente.
Meditar é uma forma de manter a mente no presente.
Como meditar?
Procure uma posição confortável, feche os olhos e concentre-se em alguma coisa. Eu recomendo a respiração – é esse um ato que executamos desde o nascimento e pouco prestamos atenção a ele.
Tente não alterar o ritmo, mas sim observar sua respiração. Sinta como o ar entra e sai pelas narinas, como o abdome se move… Mantenha a atenção exclusivamente na respiração. Naturalmente, pensamentos virão à sua mente. Afaste-os gentilmente e volte o foco para a respiração. Outros pensamentos virão. Deixe que passem como as nuvens no céu… Outros ainda virão. Não brigue com eles. Apenas os ignore e… Volte sua atenção para a respiração.
Muitas pessoas dizem que não são capazes meditar porque não conseguem se livrar dos pensamentos. Mas é justamente isso que significa meditar. É tentar manter o foco. Com o tempo e a prática, vai ficando mais fácil e você estará mais presente em tudo que fizer. É como qualquer outro treinamento.
As pessoas em geral reconhecem os benefícios do exercício físico para a saúde, mas poucos sabem da importância do exercício mental. Na verdade, meditação é uma forma poderosa de ativar o cérebro. O treinamento da mente não é um luxo, é sim, um recurso fundamental para ter saúde, viver bem e ser feliz.
A prática pode ser iniciada com dois minutos e, à medida que houver aumento da capacidade de concentração, o tempo deve ser estendido. Ainda que nenhum minuto de meditação seja tempo perdido, os resultados mais consistentes são obtidos com a duração de 20 a 30 minutos diários. Permita que o momento faça parte da sua rotina matinal.
As pessoas não imaginam como é poderoso apertar o botão de pausa e interromper os mecanismos estressantes. Com o tempo de prática, a calma alcançada durante o período de atenção plena se estende para o restante do dia e o pensamento vai deixando de ser centrado no “eu”. Além disso, a sensação de pertencimento a um todo vai aumentando.
Geralmente dedicamos um tempo considerável para o trabalho, estudo, lazer e muito pouco sabemos como a nossa mente funciona, entretanto, é justamente esse autoconhecimento que determina a nossa maneira de pensar, sentir e, portanto, existir.
É interessante saber que o núcleo accumbens – área cerebral responsável pela sensação de prazer – pode ser estimulado tanto por drogas como a cocaína, heroína e açúcar, quanto também por atitudes de altruísmo, compaixão e gentileza. Como médico, percebo isso constantemente porque dedico a minha vida a cuidar da saúde dos outros, mas percebo que o grande beneficiado sou eu mesmo porque minha sensação de felicidade aumenta à medida que melhora a saúde dos meus clientes. Concordo plenamente com o Dalai Lama: quando você ajuda outra pessoa, o maior beneficiado é você.
Eu comecei a meditar, alguns anos atrás, com o objetivo de melhorar a qualidade do sono. Hoje percebo que essa prática me fez despertar para uma grande sensação de compreensão da natureza das coisas: aceito melhor e aprecio mais a diversidade, sou menos crítico, sinto uma gratidão imensa por existir e, principalmente, deixei de buscar verdades definitivas e passei a ver a vida como um processo em construção. Isso aumentou em muito a sensação de liberdade e de autoria da minha vida. Sou mais feliz!

A meditação para mim é uma arte,que nos trás tranquilidade respostas de bem estar eleva nosso cérebro, á uma viagem longa no qual descansamos nosso corpo nossa mente,fazendo assim um translado em nosso organismo,sempre que estou sem direção eu entro para meu quarto e deixo o tempo me levar aos poucos,é como se estivesse dormindo como nos contos de fada muito bom,por digo tire um pouco do seu tempo para sua saúde!!!!!!!